quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Entre Redundâncias e Repetições do Nosso Discurso… [Adão e Erva #189]

As vezes Adão cai no dilema de como ser um militante e ao mesmo tempo não ser: redundante. Sempre os mesmos exemplos, assim como tons de praticidade para assuntos que o todo julga complexo, não convencem os caretas mais fervorosos. Optar pela quantidade e enumerar as centenas de benefícios e possibilidades da erva faz parecer megalomania ou no mínimo fixação desvairada de um usuário. Isso porque mudar de ideia é muito difícil, ainda mais no embate ao vivo, por mais convincente que sejam seus argumentos. Por isso é questão de tempo e dedicação, o processo é lento e versa sobre educação. É necessário tocar o ponto ápice da reflexão, eterno abrigo da imaginação para no âmago do subjetivo conseguir o luto da opinião velha pro ressurgimento da boa nova, como não? A clarividência de que o caminho certo é a descriminalização.

 

Por toda sorte de interpretação e direito. Não tem jeito, a era da informação chegou. Mas pera lá, ou, ou, ou… só porque você e seus amigos fazem faculdade você acha que todo mundo faz, mas na verdade menos de 5% dos brasileiros ingressam na universidade. Internet também, você acha que todo mundo tem, mas é um luta para ser lido por meia dúzia, compartilhado por 2 ou 3 ou nem isso. Na era do humor virtual a piada é mil vezes mais valorizada, curtida e compartilhada. Só que não convence quem tá de fora, só faz brisar quem tá de dentro, já é dos nossos, cá entre nós: algo mais nicho do que o 4e20? Que agora virou moda e por isso incomoda, mas que se foda. É somente lúdico e isso logicamente difere de ser útil.

 

Então pra que postar sempre essa hora? Ou melhor, a essa hora da madrugada já pergunta a Erva doida pra dormir com Adão que não para de escrever: pra que postar sempre?! Adão já estava bêbado e tentou desconversar, mas versou: no mar da proibição jogo uma corda a cada texto, tento salvar opiniões desesperadas que nadam e não conseguem tocar razão com os pés, por isso julgam-se prestes a morrer afogados no silêncio de seu não-argumento de senso comum.

 

foto (12)Medo de ser redundante, prolixo, e acabar indo pro lixo. Logo na época em que textos não são lidos sem foto do lado [se vira editor, foto de um peixe por favor]. Mas nesse mar da proibição somos como peixes, nadamos o quanto podemos e livremente frequentamos qualquer tipo de maré à nossa vontade. Ou como barcos, que navegam assim como navegamos por sítios e mais sítios no universo virtual. Adão chapou e se perguntou: isso aqui existe? O Hempadão não se pode tocar, o pensamento não se pode medir, a militância não se pode contar, o sentimento não se pode impedir. Seguimos no mar fugindo de tempestades de injustiça que nos naufragam em flagrante ou meros predadores que nos depredam.

 

Por mais quantas vezes repetir e repetir: não compre, plante. Como apologistas do crime sem vítima sapiente ao máximo que a causa é legítima, mas ainda assim réu. Resina sem mel, horizonte sem céu, felicidade incompleta de conseguir colher mas mal conseguir dormir. Ser cidadão de bem, mas e se alguém lhe vê como hediondo? Polícia prende, mídia faz estrondo. O secretário de segurança acumula pontos. Como mudar o paradigma? Enigma de uma vida inteira, Adão se sente como uma aranha fabricando a teia, complexo emaranhado de redundantes formas que capturam a presa: você.

 

Como vamos fazer? Tem algum plano de salvação? Claro, mas o Brasil parece ignorar todos nossos esforços. O problema é que a marola sobe, os leitores mais jovens viram advogados, publicitários, assessores de ministro, etc. e aí a revolução – quando viu – está feita. E pasmem: começa pelo diacho da moda. A ideia de repetir uma mentira até virar verdade pode até ser verdadeira, já que até hoje as pessoas reconhecem a maconha como a erva do capeta, mas… o que acontece é que com o passar dos anos vai aparecer uma rede organizada de militantes querendo desvelar essa verdade. Então nosso trabalho é mais fácil, pensado nesse viés, afinal, não tem truque nem transformação, não vamos repetir a verdade até que ela vire mentira, não vamos confundir, temos que explicar: nos cabe repetir a verdade até que ela seja aceita e compreendida. Mas quando isso vai acontecer? Talvez seja hoje ao amanhecer. Imagina com força pra gente vê se tem chance de acontecer: a Dilma legalizando o gererê.

10 comentários:

  1. A Dilma legalizando o gererê,
    dando entrevista pro Hempadão
    de braços dados com FHC.

    Curtí bastante a matéria, que legal...
    Enquanto o sonho total não acontece
    curtimos as brizas libertárias
    e pérolas literária,
    aqui, ali, acolá...

    Ah! Sim, as fotos.
    Mesmos redundante como gelo gelado
    Tenho que dizer
    A nave.. os peixinhos dourados.
    Tudo, tudo a ver.

    Gracias amigo. Buenos dias.

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  2. Enquanto não legalizam, eu continuo fumando!! E se legalizar, vo fumar do mesmo geito!!

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  3. ... fumamos pra ke? ... para termos liberdade no pensamento, pra criarmos o gelo-gelado ou o gelo-quente, gelo-aguado, gelo-seco, gelo-temperado, gelo-abencoado, gelo-raspado, gelo-inteiro, gelo-picado, e outros ... mas oke realmente vale e' quando criamos algo que realmente modifica o nosso meio fisico ...... gelo-fisico

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  4. Esse ficou do caralho. Muito bom mesmo. Inspiradaço!

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  5. Pois é, agora vai ter mais repressão ainda nas comunidades do RJ. Vai gerar mais violencia e vai ter mais furtos na cidade, pq os bandidos vão se espalhar. E quem paga o pato? Nós a população ué, claro, afinal a culpa sempre é nossa né? >=/

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  6. booa! hahahaha, a foto do Gelo gelado é na Rod. Rio-Santos km 16,5.

    hora de preparar a hempada!rs.

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  7. booa! hahahaha, a foto do Gelo gelado é na Rod. Rio-Santos km 16,5.

    hora de preparar a hempada!rs.

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  8. baita texto meu jovem

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