A Redução de Danos, política de referência do Ministério da Saúde, afirma a autonomia, o diálogo e os direitos das pessoas que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas
Em todo o mundo a guerra às drogas fracassou. O surgimento de milícias, máfias, controle territorial, uso de armamentos e confrontos em comunidades pobres, com grande número de mortes, é consequência direta desta política. A Lei de Drogas é o maior motivo de encarceramento no Brasil, superlotando prisões onde direitos humanos inexistem, sem, no entanto, diminuir o sentimento de insegurança e violência nas cidades. Recursos públicos que deveriam garantir direitos são gastos nesta “guerra”, na qual as principais vítimas são os pobres, jovens e negros. A ilegalidade e a repressão estimulam ainda o preconceito e a transformação da questão em tabu, dificultando o trabalho de informação e educação sobre o tema das drogas.
Conforme se aproximam os megaeventos, crescem as suspeitas de que o recolhimento e a internação compulsórios, supostamente dirigidos aos usuários de crack, estejam associados à criação de uma imagem de cidade sem mazelas sociais. Constata-se um processo de “limpeza social” especialmente nas áreas em processo de valorização imobiliária e de interesse de mercado, as quais também são palco de inúmeras remoções forçadas. O envolvimento da força policial e o levantamento imediato da ficha criminal dos recolhidos revela a intenção de “higienização”, e não a promoção da saúde. Tudo isso colocado à serviço do que parece uma reinvestida do manicômio na cidade e nas vidas.