terça-feira, 7 de julho de 2009

[Ed. #19] Chapa2: PUC anda para trás! Cega, Surda e Muda!

Capa Megazine 07.07.09

Ontém já havia saido na internet a matéria que hoje estampou a capa da Megazine, revista que acompanha o jornal O Globo, às terças. O texto versa sobre a nova moda de proibição do consumo de drogas no ambiente da universidade, ou mais especificamente, nas PUCs do Rio de Janeiro e São Paulo.

O Hempadão vem hoje, então, na missão de falar mais do que já se disse, tanto na mídia digital, quanto no impresso. A segunda versão conta evidentemente com mais fotos, gráficos e ainda a soma de um texto escrito pelo já conhecido nosso, jornalsita Jorge Antônio Barros, ou caso prefiram, o Repórter de Crime. Na versão online da matéria, o texto se inicia assim:

RIO - Depois da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUC-Rio também vai fechar o cerco contra os estudantes que fumam maconha dentro do campus. De acordo com a reportagem de Lauro Neto e Wagner Gomes, na Megazine desta terça-feira, o vice-reitor comunitário, Augusto Sampaio, anuncia que seguranças vão fotografar os alunos que forem flagrados usando a droga. A medida, segundo ele, tem como objetivo identificar quem tenta driblar a fiscalização atual.

Leia tudo lá…

O SobreDrogas, na figura de Rodrigo Pinto, não podia estar de fora dessa discussão e hoje, ao meio dia, postou questionando a medida absurda de munir seguranças com câmeras fotográficas, além de indagar a instituição acadêmica sobre outras maneiras de proceder, que não essa, motivada por muita “paixão e preconceito, mas sem racionalidade, pesquisa e educação”.

Pois bem, o Hempadão começa a análise dessa grande piada, lembrando que alguns jornalista, chefes de estado ou qualquer cargo administrativo-burocrático, muitas vezes parecem perder a memória – ou a noção – bem no ato de exercer seu papel. Vamos falar aos criadores dos embargos, primeiramente:

O consumo de maconha em campi universitários está entranhado, mas não tanto quando o do álcool. Falamos no chapa2 da edição 17, que cerca de 37% dos jovens universitários brasileiros já fumaram ou fumam maconha, enquanto 91% se inclinam à cerva. Qualquer pesquisador sabe que o risco do álcool é evidentemente maior, como droga depressiva e agente prejudicial do convívio social, do que a maconha. Fora do âmbito psicológico e social, mesmo pelo lado médico, o álcool ainda é muito pior do que poderia ser a cannabis, mesmo que consumida em doses acadêmicas. Mas parece que ninguém consultou nem médicos, nem biólogos, nem sociólogos…

Então agora se o aluno for fumar um baseado na PUC ele corre o risco de ser fotografado por um segurança. Não duvidando da honestidade dos seguranças, mas debochando da vida cotidiana, palco da comédia da proibição, vos pergunto: “será que dá pra apagar essa foto ae, meu camarada, por uma onça?” Ou melhor: “Que isso, irmão, estudo aqui há 4 anos, fumo nessa toca há pelo menos seis, com a rapaziada do CA”, pode dizer um estudande mais explanado, que sempre abriga algum Centro Acadêmico. A impressão que tenho, ora, é que de fato os magistrados da PUC nunca presenciaram uma cena típica de boates legalizeds, como: “Boa noite, meu irmão”, diz o jovem segurano beck, ao segurança da noite, “qual o melhor lugar aqui pra gente fazer essa fumaça?”.

Boates não se comparam à universidades, de maneira alguma. Rodrigo Pinto mesmo falou sobre isso ao questionar a educação dos jovens que resolvem fazer uso da cannabis no ambiente acadêmico. Não vamos entrar nessa esfera, pois é outro tipo de debate. Não vamos pensar: “Porque fumam?” Vamos apenas constatar que fumam mesmo, em alguns cursos mais do que outros, dentro e fora da universidade, e a PUC não tem nenhum outro intento além de fotografar e convidar o aluno à uma explicação da qual ele nunca será absolvido, perante o juri de dois professores do curso de direito. A instituição se mostra Cega, sem querer observar a realidade socio-cultural de seus alunos, que assim como os da UFRJ, fumam e não costumam perder seus caminhos por isso; Surda! Pois não ouviu sequer a voz da pesquisa, feita entre os estudantes; e o pior, Muda! pois não enuncia nem articula nenhum outro discurso, além de investir em câmeras de fotografar, na mão de seguranças.

  Abaixo, o texto de Jorge Antônio, click na imagem para aumentar:

Aí na versão impressa, ainda temos que nos deparar com Jorge Antônio, que já deu um verdadeiro balão na nossa equipe. Para quem não lembra, no episódio do Se Liga, Secretário, Jorge Antônio saiu em defesa do secretário Beltrame, embora tenha entrado em contato conosco, pedindo e prometendo divulgar a nossa resposta, colhida entre os autores do vídeo. Enviamos e…nunca mais outro e-mail dele foi registrado em nossa caixa de mensagens. Que pena. Mas um dia alcançaremos a glória de nunca mais ver textos com pitadas de preconceito e ignorância. Para que retroagir no tempo e voltar a afirmar besteiras do tipo: “maconha causa dependência química”?.

Ah, mas não foi ele quem falou, foi a doutora! Aqui quem vos escreve é um jornalista que, curiosamente, mesmo sendo bem mais novo do que Antônio Barros, já esteve ao lado dele, numa cadeira de curso de reportagem, oferecida pela ABI – Associação Brasileira de Impressa. Ou seja, sabemos muito bem o que o jornalista faz para afirmar seu próprio ponto de vista: ela acha uma fonte! É simples, coloca-se na boca da médica aquilo que é deleite no texto do autor. Isso funcionava pra outras gerações, mas a juventude – a mesma que fuma na PUC, ou antes da aula na ABI – está vacinada contra o vírus da ignorância. Eu nunca vi uma história de alguém que se encontre na situação de “pedir mais”, depois de fumar um cigarro de maconha, como se o vício fosse a iminente ao primeiro trago.

De qualquer forma, o problema se instaura não no que discute uma ou outra instituição de ensino. O caso é a legalização. Nas universidades européias essa proibição nunca existiria, nem em rascunho. Porque acham que a maconha faz mais mal aos estudantes brasileiros do que aos portugueses, holandeses, ou mesmo argentinos? O ErvaMundi que falou sobre os nossos hermanos revelou que as faculdades públicas em Buenos Aires são completamente legalizeds. Pois então, não lutemos contra a PUC, lutemos sim contra o fim de um mito, de uma mentira encrustada na cultura brasileira. Pois então vos digo, com esperança e orgulho: Repremir a Santa Erva nas univiersidades é aumentar o número de jovens nas próximas Marchas em prol da liberdade individual!

O país proibe, mas 4% da população usa. A universidade não gosta, mas 37% dos universitários brasileiros fumam, dentre esses, acredito, muitos são bem sucedidos. Quando questionado por pesquisa, 50% dos alunos foram contra a repressão do uso de maconha no campus, mas mesmo assim: Ignoância. Logo no berço do conhecimento. É triste, mas vai passar.

4 comentários:

  1. Hahahhaa só para ver o que os CONTRAS tem a dizer:
    "ESTOU PREUCUPADO COM A SAUDE DOS ALUNOS, SE QUER FAZER ISSO VAI FAZER LONGE DAQUI" hahahha da para ver que a preucupaçao com a saude é o que realmente esta encomodando. hahhaa a maioria deles sao hipocritas, se dizem contra mais fumam cigarro e bebem alcool ou financiam a pirataria.

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  2. ALias, Belo texto Marco! Notoria indagaçao!

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  3. Esse né do Marco não...=]
    É do MestreCuca!

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  4. É importante focar, principalmente dentro de uma instituição católica, que existem atos muitos mais graves rolando por entre linhas deste sistema.
    Vou ser curto e claro.
    Só deixo de ser maconheiro e espaçoso no dia que em que for oficialmente proibido pedofilia entre padres.

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