sábado, 29 de outubro de 2011

Uma Visão Xamã – Parte 2! [Portas da Percepção Ed. #139]

por Chaos Baby

 

Hoje damos continuidade ao assunto iniciado na semana passada. Leia a primeira parte aqui!

 

Tais estados que já observamos em vários outros artigos, onde já demos uma rápida olhada dentro da percepção de Stanislav Grof a respeito das crises transformacionais, emergências espirituais e tipos de viagens que podemos ter com o auxílio do enteógeno. Ainda a explicação do universo de Dom Juan, por Víctor Sánchez:

 

As emanações normalmente alinhadas são conhecidas como a consciência normal, o Tonal, o lado direito, etc. Dentro da banda do homem fica um grande número de emanações acessíveis, mas descartadas, que permanecem como possibilidade latente ainda que geralmente ignorada durante toda a vida, aquelas que fazem a ante sala do conhecido. As emanações além da banda do homem constituem propriamente o desconhecido e jamais são alinhadas no contexto de pessoas comuns. A ela dão o nome de Nagual, a realidade a parte, o lado esquerdo, etc. Parte do trabalho de Dom Juan e seu grupo de guerreiros (brujos - xamãs) se focava no desenvolvimento da habilidade de alinhar e perceber tais emanações.”

 

Dito isso, é importante lembrarmos que em estados alterados de consciência, ou em autos níveis dentro do circuito da consciência (ver os oito circuitos da consciência de Timothy Leary), nós não apenas acessamos a ante sala desse mundo totalmente desconhecido, o Nagual, como temos acesso a emanações e vibrações energéticas totalmente desconhecidas, como ao Nagual propriamente dito, dentro desse paradigma. Dentro dos ensinamentos de Carlos Castañeda, nós podemos mudar esse foco de percepção para outros pontos, o que não é uma tarefa muito simples, mas que ao fazê-lo nós podemos esperar que uma enorme mudança se faça em nossas vidas. Coisa que já estamos carecas de saber que na medida em que temos experiências com os enteógenos é muito provável de que uma mudança, grande ou pequena, seja feita em nossa forma de ver o mundo, a vida, nós mesmos, as pessoas ao redor, etc. Porém, há algo que chama muito a atenção que é a necessidade de reorganizarmos nossa percepção e nos prepararmos para o recebimento dessas visões ou experiências, de modo que elas façam sentido para nós, ou do contrário isso será apenas uma visão do caos, completamente sem sentido, que mais confunde nossa mente do que traz algum desenvolvimento em si mesmo. O que talvez possa acontecer com muitos de nós que experimentam tais estados, como um sonho bom, ou nem tanto, que teve à noite, ou como uma maneira de fugir da realidade tendo divertidos estados alucinatórios, amando ou se deleitando com a loucura sem tirar nenhum proveito dela, ou simplesmente deixando de lado todo o potencial de transformação e cura que tais estados podem nos acometer.

 

O que acontece muitas vezes é que vemos o estado alterado e todas as visões daquela realidade como um simples “efeito” alucinatório, e não propriamente como algo real. A mesma coisa se dá com os nossos sonhos, que são importantes mensageiros de nosso real estado interno e que muitas vezes jogamos ao lado e dizemos: “foi só um sonho”. Quando invalidamos a nossa experiência, quando pensamos algo como “bem, isso foi só um efeito” ou “isso é só um sonho”, nós retiramos todo o valor e peso espiritual que aquela experiência tem e a vemos como um simples entretenimento. E ao mesmo tempo em que a experiência tem em si um grande peso espiritual, ela também não pode ser levada com muita seriedade, a pessoa tem de ser fluida e leve para poder receber todo o material instrutivo e transformador da experiência, aprender a fazer um movimento constante e sucessivo entre apego e desapego. Teoricamente isso pode soar muito confuso, mas para aqueles que já estão acostumados com práticas meditativas, yoga, estados alterados de consciência, transe ou qualquer tipo de trabalho espiritual, esse movimento, essa leveza e manejamento da própria percepção e do valor intrínseco de experiências extra-sensoriais ou extraordinárias, não causam nenhum tipo de obsessão ou qualquer transtorno indesejável, tampouco é apenas uma questão de diversão e entretenimento, tendo assim a habilidade de retirar o que lhe é útil e aguardar o momento certo de se estar pronto para compreender todo o processo ou aquilo que acabou passando despercebido. Como meu amigo muito sabiamente me disse: “Se uma pessoa está precisando alterar seu estado de consciência para se divertir, então tem algo de muito errado aí!

 

Todos nós somos livres para fazer o que bem entendemos, Stanislav Grof defende que até o vício em alguma substância leva a pessoa para uma emergência espiritual, embora eu penso que podemos pegar outro atalho, ao invés do fundo do poço que as drogas levam um adicto, para nos desenvolvermos como ser. Nós podemos nos conscientizar do poder exercido pelas plantas e termos mais responsabilidade, não somente com o seu uso, mas com todos ao redor. Devemos observar que a partir do momento em que estamos em estado alterado ou extático, nós estamos abrindo nossa consciência e percepção não apenas para um “sonho”, mas para um mundo vívido e real, ou vários novos mundos, que nos levarão encontrar não apenas as respostas que precisamos, mas o verdadeiro rio da criatividade, as resoluções necessárias, as mudanças requeridas, a cura para nosso espírito, o contato com os deuses, com a vida, com a natureza em si mesma. Podemos nos manter abertos e conscientes, prontos para aquilo que está por vir, para o aprendizado que invariavelmente receberemos. Por isso enfoco tanto em nossa responsabilidade e abertura para experimentar não apenas o que nós já conhecemos, mas também para nos deixarmos nutrir e perceber o desconhecido, para nos sintonizarmos e realmente fazermos algo de útil para com nós mesmos e com o mundo.

 

“O poder está no tipo de conhecimento que se tem. De que adianta saber coisas inúteis? Elas não vão nos preparar para o encontro inevitável com o desconhecido” – Carlos Castañeda.

12 comentários:

  1. eu acredito numa longa e prolongada confusão dos sentidos para se alcançar o desconhecido...

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  2. Texto muito bom mesmo, as palavras do quinto parágrafo chegam a ser bem parecidas com as que eu citaria pra explicar a minha relação com a ganja..

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  3. Lembrem-se da marcha da maconha, que agrediu foi a policia, a mando de desembargadores, de que foi o prejuizo?? da população.
    Agora de que é o prejuizo do estado!!!!
    Até começarem a quebrar as viaturas eu estava apoiando, tem muita gente disinformada divulgando informações do tipo quem fuma maconha fica agressivo algo do tipo, aqui é só censura gente cuidado com isso.
    Isso é trata da USP a maconha só o estopim, não confundam

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  4. Olhem essa noticia sobre a cultura cannabica que a Folha de São paulo divulgou, vale a pena prestigiar:

    http://www1.folha.uol.com.br/turismo/997651-na-argentina-revista-informa-sobre-a-cultura-da-maconha.shtml

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  5. Olhem essa noticia sobre a cultura cannabica que a Folha de São paulo divulgou, vale a pena prestigiar:

    http://www1.folha.uol.com.br/turismo/997651-na-argentina-revista-informa-sobre-a-cultura-da-maconha.shtml

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  6. Essa reportagem é demais!!!!!!!!!
    viajei

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  7. credo vei , comi um cogu hoje e fritei nesse texto , essa é a ideia certinha do qe o cogumelo transmiti !

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  8. Gostei muitooo! e aguardando o próximooo
    hahaha

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  9. Ótimo ... somos ligados ao mundo espiritual e viva a GANJA

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  10. Viva todos os Seres Divinos!

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