por Fernando Beserra
Chega o fim do ano e preparação para um próximo. Para o racionalista de plantão toda esta “festa” feita em torno do “fim do ano” pode soar tosca, talvez mesmo sem nexo ou sentido. O fim do ano, no entanto, abre um canal de oportunidade de transformação para aqueles que agruparam em torno de um ano uma série de problemas, também uma possibilidade de “deixar para trás”, esquecer, ou simplesmente tirar sua energia psíquica de culpas passadas, olhando para o futuro. Como Janus bifronte a virada de ano permite olhar/sentir de forma concomitante passado e futuro, acontecimentos e projetos, abrindo margem a constelação de arquétipos de transformação.
Em sociedades tradicionais, uma transformação significativa, por exemplo, era a passagem entre adolescência e vida adulta. Enquanto observamos hoje tantos problemas com “drogas” entre os jovens, era comum o uso de enteógenos entre adolescentes com fins de transformação e transição. Entre os Aborígenes Australianos, povo tipicamente nômade, muito religioso e reverenciador da mãe natureza, existia um uso difundido da planta pituri (Duboisia Hopwoodii). Através do uso do pituri, que contêm os alcalóides Hyoscamina e Ecopolamina, os jovens eram integrados através de uma complexa simbologia de morte-renascimento, passando a estarem prontos para casar, procriar e contribuir para a segurança econômica da sociedade. Para tal, passavam por uma série de cinco estágios: