por Fernando Beserra

Não é novidade que vivemos em uma sociedade onde alguns setores procuram nos iludir, através da comunicação de massa, de nossa suposta diversidade. Cada vez mais slogans de liberdade, inclusão e respeito à alteridade são misturados e confundidos na sociedade de consumo, com formas de controles sutis. Propagandas em uníssono travestem suas verdadeiras intenções em novas formas de comportamento cool (maneiro, fodasso). É a antiga expressão tomando vida: “O lobo em forma de cordeiro”. Não se fala do produto, mas se mostra o comportamento desejado, desejável, com a “grife” aparecendo apenas de forma rápida, no fundo, quase de maneira subliminar. Não compre, seja. Nós somos legais, compre! Somos atravessados pela propaganda e pelo fetiche, enquanto à mercadoria é agregado valor. Entretanto, o consumidor, quando passivo, ao registrar e incorporar ingenuamente estes novos modelos de comportamentos, perde o que há de mais essencial em seu ser, seu próprio sentido, o que Jung chamou de “Si-mesmo”, as tradições taoistas de “Tao”, e o misticismo cristão de “Cristo interior”. Como diz o Jesus bíblico em Lucas, ou como o repetiu tantas vezes o anarquista cristão Leon Tolstoy: “O reino de Deus está dentro de vós”. Mas somos tomados de máscaras sociais, personas, que, por vezes tão necessárias, quando identificadas a quem realmente somos, acabam tornadas vampirescas, tornando sombria aquela voz mais própria que agoniza em nossas profundezas.